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19/mai

Como testadores, produzimos uma série de artefatos e infelizmente corremos o risco de cometer erros durante a criação destes. Neste post, falaremos sobre como evitar defeitos em artefatos através de revisões. Discutiremos a aplicação desta técnica em artefatos de teste, seus benefícios e algumas atitudes que devem ser evitadas.

Introdução

Planos de teste, casos de teste, projetos de teste, roteiros de teste, cenários de teste, scripts automatizados, relatórios, incidentes, mapas mentais, tasks, checklists, etc. Artefatos criados por testadores, que possuem uma série de regras e informações relevantes que podem conter defeitos.

Podemos elencar uma série de defeitos que geralmente são encontrados em artefatos de teste quando estes não passam por revisão, tais como: falta de clareza ao explicar como e o que deverá ser testado, informações fora do escopo do teste, dados incorretos, informações irrelevantes, condições impossíveis de serem executadas, condições que não foram exercitadas, condições de teste inexistentes, ações contrárias ao que foi definido nos requisitos, etc.

Vemos que o defeito gerado pelo testador também tem um preço elevado caso seja identificado na fase de execução dos testes, por exemplo, um testador cometeu um erro ao elencar uma condição de teste durante a análise e modelagem, e foram escritos 30 casos de teste a partir desta condição de teste que foi mal escrita. Neste caso, todo o esforço e investimento de criação, execução e relato de falhas encontradas provavelmente serão perdidos, uma vez que tudo foi baseado em uma condição errada.

Uma maneira de evitar este tipo de problema é revisar os artefatos de teste com o objetivo de encontrar o maior número de defeitos possíveis nos artefatos, antes que estes sejam utilizados como base para criação de outros artefatos ou para execução dos testes. Evitando assim o esforço com planejamento e execução de testes desnecessários e o investimento financeiro que seria empregado a estas ações.

Como e o que revisar?

Segundo o Syllabus, revisões podem ser desde pouco a muito formais e podem ser utilizadas para verificar qualquer tipo de artefato.

Revisões pouco formais são as que você, após a criação de um artefato, entrega-o a outro testador experiente e este por sua vez, faz uma análise sobre o artefato com o objetivo de encontrar defeitos.

Já a revisão muito formal, conhecida como inspeção, é uma reunião onde diversas pessoas são envolvidas, cada uma com um papel específico onde um número maior de artefatos é revisado ao mesmo tempo. Inspeções podem ter mais que um objetivo, por exemplo: encontrar defeitos, obter conhecimento sobre um assunto, verificar a estrutura dos artefatos, verificar erros de ortografia e gramática, etc.

O tipo de reunião é definido com base em algumas variáveis, como: tempo disponível, experiência dos testadores, objetivo da revisão, histórico de defeitos em artefatos de teste, complexidade da aplicação que será testada, cláusulas contratuais, etc.

Podemos identificar o que será revisado usando, mas não limitando-se a algumas das variáveis citadas no parágrafo acima, por exemplo: a) se temos pouco tempo para testar, poderíamos revisar apenas os artefatos de teste que possuem o maior risco de apresentar defeitos; b) se os ciclos de teste anteriores têm revelado uma série de problemas na escrita de casos de teste, com certeza neste ciclo seria ideal revisar todos os artefatos gerados; c) se existe um requisito contratual exigindo que todos os artefatos sejam revisados, o esforço de teste deverá incluir tempo para revisar cada artefato desenvolvido.

Quem testa o meu teste?

Os revisores dos artefatos de teste geralmente são os próprios testadores, mas em alguns casos, o revisor pode ser alguém com o domínio da regra de negócio ou alguém com perfil técnico.

Por exemplo, se o objetivo é verificar a estrutura e padrões dos artefatos, os revisores podem ser os próprios testadores; se o objetivo é verificar as condições que serão testadas, os testadores mais experientes ou analistas de negócio poderiam revisar os artefatos; já se o objetivo é verificar características dos ambientes que serão utilizados nos testes, talvez analistas de sistema ou mesmo profissionais responsáveis pelo ambiente de teste poderiam ser os revisores. Como vemos, tudo vai depender de qual é o objetivo da revisão.

Revisores experientes podem, inclusive, identificar novos cenários, condições e estratégias de teste, fazendo com que os artefatos consigam atingir uma cobertura de testes mais ampla.

A escolha incorreta de revisores pode arruinar uma revisão, uma vez que eles são personagens essenciais para o sucesso desta atividade.

Ler apenas não é suficiente

Para que obtenhamos sucesso nas revisões é necessário que o revisor tenha foco e olhar crítico durante a execução da revisão. A simples leitura dos artefatos de teste dificilmente revela defeitos relevantes, por isso, faz-se necessário tentar encontrar informações errôneas nas entrelinhas, por exemplo: informações ambíguas ou incompletas, fluxos impossíveis, informações duplicadas, requisitos inválidos, escrita incorreta, erros de ortografia e gramática, informações de difícil compreensão, informações desatualizadas, dados incorretos, conteúdo duvidoso ou mesmo, concepções pessoais sobre o produto.

É uma tarefa difícil e como vimos exige concentração e experiência sobre o artefato e o conteúdo que está sendo revisado. A utilização de checklists, que são listas de itens a serem verificados, pode facilitar a procura por defeitos comuns ou recorrentes, servindo como um guia para o revisor durante a atividade de revisão dos artefatos.

É preciso ter maturidade

Os autores dos artefatos de teste que serão revisados precisam ter maturidade ao receber os relatos dos defeitos encontrados e aprender com eles ao invés de tomar isto como um ataque ao seu profissionalismo.

Ninguém está livre de cometer erros, a maturidade está em aceitá-los e conseguir extrair lições e experiências que estas situações proporcionam.

Conclusão

Uma vez que defeitos podem ser introduzidos nos artefatos que produzimos e que estes podem causar impacto negativo no ciclo de testes, faz-se necessário aplicar revisões nos artefatos produzidos, com o objetivo de encontrar, previamente, o maior número de defeitos.

Revisões trazem diversos benefícios, mas para que tenha sucesso é necessário que os revisores corretos sejam selecionados, que os objetivos sejam bem definidos e que os envolvidos tenham maturidade para aceitar e aprender com os defeitos encontrados.

Agradecimentos

Agradeço aos amigos que gentilmente colaboraram dando seu feedback e suas opniões sobre este artigo, são eles: Alex RicobomAlvaro Campos Vieira, Cristiano CaetanoDaniel Miguel ArcanjoEvandro OliveiraFernanda Thiesen Matos.

Referências

  1. Foundation Tester Syllabus (ISTQB), bstqb.org.br
  2. Verificação, Revisão e Inspeção de Artefatos (Cristiano Caetano), slideshare.net/Qualister

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