Blog > Mantendo-se um Testador Curioso

28/abr

Curiosidade é uma das principais características de um testador, mas, quando não cultivada, pode, com o tempo, ir perdendo intensidade. Neste post conheceremos algumas causas da falta de curiosidade e discutiremos três formas de cultivar essa característica tão importante.

Introdução

Diversos pesquisadores descrevem testadores como sendo pessoas curiosas, pessimistas, donas de um olha crítico, atentas ao detalhe e preocupadas com a qualidade de um produto. Estas características são relacionadas ao lado comportamental de um testador, e são extremamente valorizadas.

Preservar estas características, permite que o testador adquira cada vez mais conhecimento e tenha muito mais criatividade ao projetar e executar testes, além é claro, de fornecer muito mais valor às reuniões e debates das quais este participa.

A curiosidade, por sua vez, se destaca entre as demais características e é, com certeza algo que influência no sucesso de um projeto. Infelizmente, ela não é algo constante, e também não é generalizada, ou seja, somos curiosos em determinados momentos e para determinados assuntos.

As razões para a redução da intensidade da curiosidade são várias, mas existem formas de manter-se curioso, cultivando esta característica tão importante para os testadores.

Atitudes que diminuem nossa curiosidade

Medo ou receio em questionar

Devemos evitar privar-nos de perguntar por receio de parecer-mos inexperientes e também de pensarmos “vou pesquisar mais sobre isto depois”. Estes pensamentos impedem-nos de aproveitar ao máximo a oportunidade de conhecer mais sobre algo.

Falso senso de confiança no sistema

A familiaridade com alguns módulos e também o baixo nível de ocorrência de falhas podem gerar em nós uma falsa crença que certas partes desta aplicação funcionam corretamente, e assim, deixamos de dedicar o máximo de esforços em descobrir suas particularidades.

Falta de familiaridade com o módulo ou sistema

Geralmente nos deparamos com determinados temas que deveríamos aprender, mas por não ter familiaridade com eles ou por achar um tanto complexo, acabamos por preferir transferir a responsabilidade para outra pessoa que tenha mais familiaridade ou experiência.

Três maneiras de cultivar a curiosidade

Veremos abaixo três métodos que podem ajudar-nos a manter ativa a chama da curiosidade, para que assim, possamos continuar explorando e aprendendo o máximo possível sobre as funcionalidades de um sistema:

Questione sobre tudo o que não conhece ou não compreende

Frequentemente nos deparamos com funcionalidades que não conhecemos ou não compreendemos e, nestes casos, o que fará com que nós consigamos entender exatamente a funcionalidade proposta é questionar o máximo possível, de modo a absolver o máximo de conteúdo possível.

Devemos ter em mente que nosso trabalho é entender muito bem como as aplicações devem se comportar, pois um teste bem feito depende disso. Desta forma, não devemos ter medo e nem receio em arriscar-nos em questionar pois a qualidade de nossas atividades está intimamente relacionada ao ato de descobrir e aprender.

Olhar tudo como algo novo

Com o passar do tempo começamos a deixar de encontrar novidades nos softwares que testamos, isso ocorre por pensarmos, incorretamente, que já conhecemos todos os comportamentos esperados.

Podemos impedir a ocorrência deste engano simplesmente adotando uma visão de inexperiência quanto ao software que utilizamos, e assim conseguimos enxergar pontos diferentes antes não vistos.

Busque mais conhecimento e então desejará aprender mais

Somos motivados a aprender mais quando conhecemos um pouco sobre o assunto e nos sentimos desmotivados quando não sabemos nada sobre ele.

Quando não compreendemos bem alguma funcionalidade, ou quando ela é muito complexa, não sentimos confortáveis em explora-la, e assim, acabamos por deixar que outras pessoas trabalhem nesta funcionalidade.

A familiaridade com as funcionalidades e o aprendizado sobre elas faz com que queiramos aprender mais sobre aquilo, e então o que considerávamos difícil de entender começa a se tornar cada vez mais simples, até tornar-se claro.

Lembro-me de uma palestra que assisti de um pesquisador chamado Lee Copeland, um dos grandes nomes da área de testes. Ele comentou sobre um jogo que encaixa-se muito bem a esta discussão sobre aprender mais sobre algo considerado, inicialmente, difícil de se entender.

O jogo chama-se “Playing twenty questions", onde temos dois personagens, o Questionador e o Respondedor. O jogo inicia-se com o Respondedor pensando em um elemento (pessoa ou objeto). Com até 20 perguntas o Questionador deve desvendar o elemento no qual o Respondedor pensou. O Respondedor deve responder apenas “sim" ou “não”.

A primeira questão, provavelmente é um chute, por exemplo "O elemento é um ser humano?". A partir desta questão já fica claro que é um ser humano ou um objeto inanimado. A segunda questão continua ainda sendo um chute, mas com certeza será uma questão mais concreta que a primeira, por exemplo "Está vivo ou morto?”.

E assim, a cada vez mais o questionador descobre mais sobre o elemento, e vai adquirindo mais curiosidade, e mais vontade de aprender mais, até que uma hora fica claro ao Questionador qual é o elemento que o respondedor pensou inicialmente.

Conclusão

A curiosidade é uma característica essencial porém, quando não cultivada, pode fazer com que aos poucos venhamos a perdê-la. Questionar, olhar tudo como “novo” e buscar familiarizar-se com o funcionamento de módulos que não nos sentimos confortáveis a testar são maneiras de cultivar esta característica importante para um testador.

Fontes

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